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Vinhos Alemães



VII. VINHOS ALEMÃES. FATOS E PERSONAGENS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O SUCESSO DO MUNDO VÍNICO.

Osvaldo Nascimento Júniors.:

Muito se fala dos vinhos franceses, italianos portugueses e outros que hoje encontramos com facilidade em lojas especializadas, adegas e supermercados, mas pouco se conhece dos vinhos alemães, que aqui trazemos à vocês caros leitores(as), nesta matéria em nossa coluna VINO VITA EST, mostrando sua importância no decorrer da história.

No mundo dos vinhos, como em tantos outros setores de atividade humana, se é muito temerário apontar os melhores, não é difícil apontar os mais famosos.

Raramente o valor e a fama coincidem. No entanto, ambos podem eventualmente complementar-se. Se os melhores vinhos alemães são reconhecidamente os do Reno, o mais célebre como veremos adiante, é o de Mosela. Se a viagem fluvial pelo Reno, nos navios famosos, é o mais conhecido itinerário turístico do país, pela sua beleza e tradição renana, degustando os grandes vinhos alemães, o roteiro pelas aldeias do Rio Mosela apresenta para muitos as mais belas paisagens do continente. Outro tanto se pode afirmar dos brancos da região de RHEINGAU, o berço dos melhores vinhos brancos do continente, são regiões de grande prestígio do vinhedo alemão. Elaborados a partir da uva RIESLING, os brancos do Mosela destacam-se, recém-engarrafados, por sua juventude, ligeireza e frescor e por sua extraordinária aptidão para se transformar com a passagem do tempo em vinhos fascinantes, complexos e inspiradores.

Mas a Alemanha é mundialmente reconhecida como produtora de grandes vinhos brancos e MUITO POUCO se divulgam seus vinhos tintos. Estes existem e são muito bons. Se, por um lado, não chegam a ombrear com seus vizinhos franceses, por outro, pode-se perguntar: Quais vinhos tintos se lhes comparam?

Ocorre que a produção de vinhos brancos é maior, tem a melhor qualidade possível, e é muito exportada, enquanto a produção dos tintos é relativamente pequena e a exportação limitada. Afinal, a produção vinícola alemã é relativamente pequena, apenas a oitava do mundo, cerca de 1,06 bilhões de litros numa superfície de vinhedos 102.000 hectares.

Lembremos que estamos em uma terra pouco favorecida pelo clima: poucas horas de sol, temperaturas muito baixas, invernos longos e verões curtos, entre outros motivos. Obstáculos que dificultam a produção e cuja superação, exigiu um considerável esforço. Em primeiro lugar, buscaram-se locais mais ensolarados. A escolha recaiu sobre as encostas situadas ao longo dos meandros dos leitos dos rios que percorrem o sul e o oeste do país.

Se atualmente a maior parte do vinhedo alemão é formada de uvas brancas, nem sempre foi assim. Sabe-se com certeza que durante o domínio do grande Império Romano, e mesmo depois, o vinhedo era de uvas tintas.
VENANTIUS FORTUNATUS, descrevendo a região do Mosela, no fim do século VI, cita a VINEA PURPUREA e outra UVAE colorateae, ; em 1836, um enólogo descreve em Cochem e arredores apenas uvas tintas da variedade KLEBROT, que nada mais é que a atual SPAT-BURGUNDER (tinta).

Das onze regiões vinícolas oficiais alemãs, apenas a do Mosel-Saar-Ruwer não produz vinhos tintos. Quanto às outras, as maiores produtoras de vinhos tintos são as do AHR, conhecida como o "paraíso dos vinhos tintos alemães", e a de Wurttenberg. Ambas produzirem mais vinhos tintos que brancos. A região do AHR é sem dúvida a principal produtora de vinhos tintos. Das menores regiões vinícolas e a mais setentrional do mundo (mesmo em relação às russas e canadenses), é belíssima. Situa-se nas margens escarpadas e rochosas do pequeno rio AHR, que deságua no Reno entre as aldeias de Sinzig e Remangen (antigas fortificações galo-romanas denominadas respectivamente, Sentiacum e Rigomanus), numa extensão de apenas 25 km.

Comenta-se jocosamente na Alemanha, que o mais notável desse vinhedo, é o de êle existir. Com efeito, as vinhas são plantadas em escarpas muito íngremes de até 250 metros de altura.

A outra região vinhateira de uvas tintas, Wurttemberg, situa-se no Vale do Rio Neckar e é constituída principalmente de pequenas propriedades de mini-latinfundiários ligados à cooperativas. Tem hoje apenas 6.500 hectares, contra os 2.000 de 100 anos atrás, mas é dos maiores produtores e grande consumidora de vinhos da Alemanha.

Voce, caro leitor(a), já ouviu falar do EINSWEIN?

Trata-se do vinho de uvas colhidas geladas. Esse vinho, desconhecido para nós dos trópicos, não é obrigatoriamente excelente, mas geralmente o é. Ocorre quando do dia da colheita ( em setembro ou outubro, outono europeu), a temperatura cai a 15 ou 20 graus negativos. Esse vinho é raríssimo, e tem uma curiosidade: as moças que colhem as uvas usam grossas luvas de lã.

E O WEINHNAHTLESE?

Sua colheita ocorre no Natal, muito comemorado na Alemanha. Estes vinhos são difíceis de serem encontrados, existem poucos, são caros e praticamente não saem da Alemanha. Mesmo lá, a menos que se conheça um vinhateiro, eles não chegam aos comerciantes. Os momentos de saborear tais vinhos raros é cercado de um verdadeiro ritual. São servidos em pequenos cálices e sorvidos lentamente. Com muito respeito. Tradições que desconhecemos aqui em nosso mundo.

Iniciamos esta nossa matéria falando do MOSELA. MOSELA em português, MOSELLE em francês e inglês e MOSEL em alemão, é o diminutivo do vocábulo latino MOSA, nome de outro rio , o MEUSE, francês, ou MAAS alemão. A região vinícola do MOSELA é a terceira em extensão da Alemanha., com apenas 11.000 hectares. Abrange o vale desse rio e o de seus afluentes. SAAR e RUWER, desde sua origem, junto à fronteira franco-germano-luxemburguesa, até Klobenz, na confluência do Mosela com o Reno, cidade maravilhosa, oriunda do Império Romano Clobença, início da maravilhosa e inesquecível rota rodoviário do Rio Reno, que tivemos o prazer e a felicidade de realizar de carro, pousando em RUDSHEIM, capital do vinho branco, cidade medieval.
BERNKLASTELER DOCKTOR. O MELHOR VINHO TINTO DA ALEMANHA. VOCE CONHECE?

E do médio Mosela, provém o mais famoso, célebre e requisitado vinho alemão, O BERNKASTELER DOCKTOR. Mais comumente presente na mesa dos novos ricos ou nas cartas de vinhos dos hotéis de luxo, É O ROMANÉE-CONTI DA ALEMANHA.

A aldeia de BERNKASTEL, da qual o vinho toma o nome, foi fundada em 1291 e é encantadora. Possui uma praça central rodeada de casas medievais de alvenaria branca e traves cruzadas de madeira aparente (fachauser). felizmente, é pouca frequentada por turistas.

O primeiro Ministro alemão, Conrad Adenauer, costuma presentear ( com parcimônia), alguns chefes de Estado com êsse vinho, consagrando-o como o que de melhor se produzia na Alemanha. é um vinho difícil de ser encontrado em nosso mercado, mas existe.

O nome de BERNKASTLER DOCKTOR, provém de uma lenda como fundamento histórico: No século XIV, o arcebispo-leitor Boemundo II de TRIER( a cidade mais antiga da Alemanha, fundada por volta do ano 15 A.C. pelo Imperador romano Augusto), que passava parte do ano em seu castelo de Landshut, sobre Bernkastel, adoeceu gravemente e seria curado pelo vinho Docktor Local. E não foi só. No início deste século o prestigio do vinho tornou a crescer, quando foi prescrito como medicamento ao rei Eduardo VII, que sofria do fígado, curando-o.

Numa das adegas onde se estoca estes vinhos, há uma pedra antiga com a seguinte inscrição em latim "VINUM MOSELLANUM OMNI TEMPORE SANUM (O vinho do Mosela é saudável em qualquer tempo). É uma antiga alusão ao poder de restaurar a saúde atribuído ao vinho, especificamente ao vinho DOCKTOR, ou doutor.
RETRATAÇÃO DO VINHO LIEBFRAUMILCH.

Liebfraumilch NÃO significa 'LEITE DA MULHER AMADA", COMO PENSAM ALGUNS, NEM "LEITE DE NOSSA SENHORA, nome romântico e famoso, mas enganador.

No caso " MILCH", PROVÉM DO ALEMÃO ANTIGO, 'MINCH", que corresponde à forma moderna 'MONCH", ou monge. Assim, LIEBFRAUMILCH, quer dizer : Monge de Nossa Senhora, ou Monge da Igreja de Nossa Senhora, em WORMS, pois originalmente o nome foi usado para os vinhos produzidos nessa aldeia, situada ao redor de uma pequena e alta igreja gótica do século XV, a LIEBFRAUKIRCHE ( Igreja de Nossa Senhora). Ainda hoje é um vinhedo muito pequeno, como muitos na Alemanha, que produz, nos melhores anos, no máximo 2.000 caixas. São terras de aluvião, medíocres para vinhos, mas famosas na história da vinicultura. Nessa igreja LUTERO foi condenado, em, 1521, por heresia, lutando contra a Igreja Católica contra a venda de INDULGÊNCIAS, absurdo só visto e levantado por êle. Veja quanta história.

Worms, é citada na saga do Anel de Nibelungos, ópera do grande compositor alemão RICHARD WAGNER, hoje infelizmente mais conhecida como uma nova série do cinema, que ninguém a liga ao compositor alemão, como produtora do "melhor vinho das margens do Reno". Esse vinho foi cantado e louvado durante toda a Idade Média.
Aos apreciadores deste maravilhoso vinho, aconselhamos que não se pode usar mais este nome, originalmente da aldeia de WORMS, o usado é LIEBFRAUENSTIFT, ANOTE BEM, (FUNDAÇÃO DE NOSSA SENHORA) e corresponde aos vinhos produzidos no pequeno, antigo e famoso vinhedo ao redor, da Igreja de Worms.

Com as informações aqui apresentadas, nós os enófilos iniciantes, já estamos em condições um pouco mais vantajosas para empreender a aventura degustativa pelos esplêndidos vinhos da Alemanha e se houver oportunidade, visitar os agradáveis locais onde eles são produzidos.

As WEINSTRASSEN - estradas do vinho, os caminhos que conduzem aos vinhedos, adegas, cantinas e restaurantes são sobremodo acolhedoras, amenas e numerosas na Alemanha. Tivemos o privilégio de conhecer a principal delas que é a RHEINGOLD STRASSE, (Estrada de Ouro do Reno) percorrendo-a de carro, estrada situada à margem esquerda do Reno entre Rhens ao sul de Koblenz até Frankfurt, pousando numa cidade medieval, RUDSHEIM indiscritível,onde em sua famosa e estreita rua DROSSELGASSE, em seu restaurante degustamos e dançamos inebriados com seus vinhos RIESLING, com seus vinhedos plantados nas encostas em todo o trajeto, desde 779 DC.

Ali reinam estas maravilhosas uvas brancas, consideradas as melhores entre as brancas e a Alemanha sua maior produtora, as uvas das terras geladas. As estradas do vinho alemãs, reúnem turismo, gastronomia, enologia, história, permitindo passeios à pé, constituido-se numa contribuição das mais interessantes ao turismo.

Fazemos um destaque ao grande PAI, O RIO RENO, como é poeticamente chamado, está ligado a importantes acontecimentos da história européia. Suas frequentes curvas, às margens verdes, na primavera o tornam, segundo muitos, o formador de um dos mais belos vales vinícolas do mundo, as encostas íngremes, mais favoráveis, são ricas em minerais e preservadores de calor.

E o romantismo germânico imagina, o RENO é um rio masculino, forte, poderoso, que corre impávido para o norte. O curvilíneo Mosela, das belas margens é gracioso e feminino. Avança em curvas caprichosas até entregar-se em simbólico casamento, aos braços do RENO, na desembocadura em KOBLENZ.

Trazemos, assim, ao conhecimento e à meditação de nossos leitores(as)visão muito resumida da valiosa contribuição alemã ao esplendido, variado e amplo quadro dos vinhos alemães.

A intenção foi introduzir informações gerais, para provocar e estimular felizes descobertas particulares.
Seja bem-vindo a contribuição alemã ao mundo do vinho. A apreciação do vinho, tal como da grande arte, tem que ser cultivada. Quanto mais você conhece sobre a pintura, por exemplo, melhor pode apreciar um único quadro. Dá-se o mesmo com o vinho.

Encerramos com uma citação goetheana, ' O VINHO ALEGRA O CORAÇÃO DOS HOMENS E A ALEGRIA É A MÃE DA VURTUDE", que faz parte dos livros no curso da ACADEMIA ALEMÃ DE VINHO (Deutsches Weininstitut), que foi estabelecida por grupos de cientistas e industriais do vinho, tendo por séde o Monastério de Cister, no Castelo de Erbach, proximo a Eltville. A Abadia foi fundada em 1135 por São Bernardo de Clairvaux.

AVOE. BRADO DE SAUDAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.

Osvaldo Nascimento Júniors.:
Contatos pata cursos e palestras osvaldopinheiro@gmail.com




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